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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Homem e a Mulher.

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono.
Para a mulher, um altar.
O trono exalta.
O altar santifica.
O homem é o cérebro.
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz.
O coração produz Amor.
A luz fecunda.
O Amor ressuscita.
O homem é forte pela razão.
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence.
As lágrimas comovem.
O homem é capaz
de todos os heroísmos.
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece.
O martírio sublima.
O homem tem a supremacia.
A mulher, a preferência.
A supremacia significa a força.
A preferência representa o direito.
O homem é um gênio.
A mulher, um anjo.
O gênio é imensurável.
O anjo, indefinível.
Contempla-se o infinito.
Admira-se o inefável.
A aspiração do homem
é a suprema glória.
A aspiração da mulher
é a virtude extrema.
A glória faz tudo grande.
A virtude faz tudo divino.
O homem é um código.
A mulher, um evangelho.
O código corrige.
O evangelho aperfeiçoa.
O homem pensa.
A mulher sonha.
Pensar é ter no crânio uma larva.
Sonhar é ter na fronte
uma auréola.
O homem é um oceano.
A mulher um lago.
O oceano tem a pérola que adorna.
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa.
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.
O homem é um templo.
A mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos.
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
Enfim,
o homem está colocado
onde termina a terra.
E a mulher onde começa o céu.

Victor Hugo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Folia, folia, folia.

Carnaval.
Festa terrestre.
Batuques,
nada brandos.
Cores,
fantasias,
onde parece que até
embriões brilham.
Côros que só se calam
na quarta-feira de cinzas
quando foliões vencidos,
seguem seus destinos,
portando bandeiras
do samba enredo
do dia-a-dia.

Cecília Fidelli.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Família é prato difícil de preparar.


Família é prato difícil de preparar.
São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela,
fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível.
Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio.
Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria?
Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada.
A outra, a mais consistente.
E você?
É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.
Como saiu no álbum de retratos?
O mais prático e objetivo?
A mais sentimental?
A mais prestativa?
O que nunca quis nada com o trabalho?
Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa.
Eu espero.
Já estão aí?
Todas?
Ótimo.
Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar.
Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo.
De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado:
temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias,
que quase sempre vêm da África e do Oriente
e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.
Família é prato extremamente sensível.
Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional.
Principalmente na hora que se decide meter a colher.
Saber meter a colher é verdadeira arte.
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.
Bobagem.
Tudo ilusão.
Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini;
Família à Belle Meunière
: Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria.
Família é afinidade, é
“à Moda da Casa”
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces.
Outras, meio amargas.
Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada,
seriam assim um tipo de Família Dieta,
que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente,
quentíssimo.
Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando
e transmitindo o que sabe no dia a dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta,
e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.
Muita coisa se perde na lembrança.
Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça,
por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie.
Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana,
na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

Francisco Azevedo.
- De: O Arroz de palma.

“Porque para Deus nada é impossível.”
(Lucas 1:37)
Fonte:
http://mensagensetc.com.br/?p=1331
- Imagem extraída do:
http://blogdoeducadorsocial.blogspot.com/2010/04/projeto-familia.html

Sociais dos pobres e descamisados.


- Zé ninguém,
um pobre assalariado recebe
com alegria a privatização da fome.
- Há cem anos morria
o injustiçado trapolino.
(Morreu de fome).
- Polícia flagra o
Nêgo bóia fria fazendo amor
em obra inacabada.
- O badalado mendigo Nau é assaltado
em plena luz do dia no Rio de Janeiro.
- O super-pedreiro Bia é preso
com uma carteira de cidadão falsa.
- A Sex Zefa, faxineira, é condenada
por roubar uma caixa de fósforo.
- Um excêntrico casal de favelados
comemora bodas de ouro em pleno lixão.
- Lia, a famosa lavadeira
vai ser mãe de sextrupo.

Antonio Fernando de Andrade.

Contatos via postal:
- Rua Dr. João Moura, 305
Engenho do Meio
Recife/PE
CEP 50.730-030

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Vestindo Armadura

A saudade sabia que viria.
Só eu não sabia que ela viria,
num piscar de olhos.
Ela chegou a noitinha,
chorando,
chorando e empacou.
Tentei enganá-la
com um banho de água fria.
Parecia que diminuia.
Eu alí.
Firme,
brincando de afogar as mágoas.
Na manhã seguinte,
já me sentia poderosa outra vez.
Transformada,
realizada e feliz.
Em sonho,
durante o sono,
negociei com cupido
e
removí,
não remoí mais vazios.

Cecília Fidelli.

Fotopoemas.